Archive for setembro 2009

Professores do estado continuam de braços cruzados

Os professores da rede pública estadual ficam fora das salas de aula nesta quinta-feira, 10, no segundo dia da paralisação de 48 horas deflagrada pela categoria. O movimento visa alertar o governo sobre a não aceitação do processo de enturmação, que desde o ano passado é aplicado pela Secretaria de Educação do Estado (SEC). Por meio da enturmação, turmas com poucos alunos são unificadas e, em alguns casos, estudantes precisam complementar a carga-horária em outras unidades de ensino.

Pela manhã, pouco mais de 100 professores tomaram café-da-manhã em frente ao Palácio de Ondina. O objetivo foi chamar atenção do governador Jaques Wagner (PT) sobre o assunto. De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação na Bahia (APLB), Ruy Oliveira, a categoria pretende negociar com a SEC um meio de suspender a prática da enturmação.

Os professores chegaram ao Palácio por volta das 7h, mas policiais militares impediram que ficassem muito próximos à entrada. Na próxima quarta-feira, a categoria volta a cruzar os braços. Desta vez, a mobilização será nacional diante do impasse em negociações da campanha salarial dos docentes.

Fonte: A tarde

Crise estimulará procura por ensino superior, diz OCDE

O período pós-crise econômica mundial será caracterizado por “uma demanda sem precedentes” pelo ensino universitário, afirmou, nesta terça-feira, Angel Gurria, secretário-geral da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), com sede em Paris.

Segundo a organização, o desemprego, que provavelmente se manterá elevado no período em que as economias começarem a sair da recessão, além das vantagens de um maior nível de educação, “vão incentivar cada vez mais jovens a continuarem seus estudos por mais tempo”.

“Os investimentos em capital humano contribuirão para a retomada do crescimento, sob a condição de que os estabelecimentos de ensino estejam em condições de responder a essa demanda”, diz Gurria.

Em seu relatório anual Olhar sobre a Educação – 2009, publicado nesta terça-feira, a OCDE recomenda aos governos que levem “em conta a tendência de maior demanda por formações de ensino superior na elaboração de suas políticas de educação”.

Benefícios

O estudo analisa os sistemas educacionais de 36 países, sendo 30 membros da organização e seis países “parceiros”, entre eles o Brasil.

“Considerando que as pessoas mais qualificadas têm mais chances de trabalhar, assistimos a um aumento do valor da educação”, afirma o relatório.

A OCDE afirma ainda que “investir na educação é um meio para lutar contra a recessão e aumentar a renda futura”.

A organização diz também que um maior nível de ensino beneficia não apenas as populações – que recebem salários mais elevados – mas também a economia dos países, “que tiram benefícios do maior número de pessoas com diplomas”.

“A análise da OCDE mostra que os resultados positivos do ensino superior se traduzem, posteriormente, em salários mais elevados, melhor saúde e menor vulnerabilidade ao desemprego”, diz o relatório.

Diferenças

Segundo os cálculos realizados para o estudo, um homem com diploma universitário pode obter, nos países da OCDE, uma vantagem salarial acumulada ao longo de sua vida profissional de US$ 186 mil brutos, em média, em relação a alguém que cursou apenas o ensino secundário.

A diferença é menor no caso das mulheres – de US$ 134 mil, em média -, o que revela a disparidade dos salários entre homens e mulheres, afirma a organização.

Os Estados Unidos registram a maior diferença salarial entre os que cursaram e os que não cursaram o ensino superior.

Um americano com diploma universitário pode ganhar, ao longo de sua vida, mais de US$ 367 mil a mais do que uma pessoa que cursou apenas o segundo grau.

No caso do Brasil, os titulares de um diploma universitário “beneficiam-se de uma vantagem salarial muito superior a 100%” em relação às pessoas que cursaram apenas o segundo grau, diz o estudo.

O número de pessoas que obtiveram diplomas do ensino superior aumentou, em média, 4,5% por ano nos países da OCDE entre 1998 e 2006, informa o relatório.

Fonte: Folha Online

Até o fim do ano, 375 mil alunos irão abandonar escolas estaduais da Bahia

Até o final do ano, cerca de 375 mil estudantes – 250 mil por abandono e 125 mil por evasão – da rede estadual baiana de ensino público estarão fora das salas de aula, estima a Secretaria de Educação do Estado da Bahia (SEC). No Colégio Estadual Landulfo Alves, em Salvador, por exemplo, 35 turmas que começaram 2009 com 40 alunos hoje têm frequência bem menor, algumas chegando a quatro ou cinco estudantes por turma.

A evasão – quando o aluno sai de vez do sistema de educação – vem se mantendo no mesmo patamar nos últimos quatro anos. É de 9,9% no ensino fundamental (da 5ª a 8ª série), e de 9,2% no ensino médio (do 1º ao 3º ano). Já o abandono – o estudante fica entrando e saindo do sistema sem concluir as etapas de ensino – fica na casa dos 20%. Em 2009, foram matriculados 1,257 milhão de alunos na rede pública de ensino do Estado.

O cenário baiano é preocupante quando comparado com o quadro nacional. Enquanto aqui  a evasão não se altera, em São Paulo os índices gerais caíram de 7% (em 2005) para 5,4% (em 2008). Além disso, o abandono na Bahia é acima da média nacional, que é de 15,3% conforme dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

A pedagoga Marilena Oliveira, coordenadora do Fórum Baiano de Educação Infantil,  avalia que a ausência de um projeto pedagógico atrativo e a falta de infraestrutura das escolas levam à situação atual. “Há alguns alunos que estudam à noite e largam a escola por conta do trabalho, mas isso é muito pouco. É preciso reconhecer aquele sujeito na sala não só como aluno, mas como gente”, avalia.

Em abril deste ano, a Fundação Getúlio Vargas divulgou estudo sobre as causas da evasão e do abandono. O desinteresse é o principal fator. Conforme o relatório, 40% dos jovens entre 15 e 17 anos que deixam a escola o fazem por  considerar desestimulante; 27% por causa de trabalho.

A SEC está realizando desde agosto o processo de enturmação (ver abaixo). A medida  não agradou professores e alunos em Salvador. Na manhã de ontem, mais de 50 docentes de 12 escolas  se reuniram  no Colégio Estadual Raphael Serravalle para definir ações. Pela tarde, junto com alunos, protestaram em frente à sede da SEC. Os professores realizam assembleia na próxima terça-feira. Ontem, ameaçaram fazer greve caso não haja acordo.

Fonte: A tarde on-line

Ministério da Educação critica acordo do Brasil com Santa Sé

Um artigo sobre ensino religioso faz com que o acordo entre o Brasil e a Santa Sé seja criticado dentro do próprio governo federal. O documento foi assinado em novembro de 2008 e está prestes a ser votado no Congresso Nacional.

Um dos pontos do texto diz que “o ensino religioso, católico e de outras confissões religiosas, de matrícula facultativa, constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental”.

A discórdia está na expressão “católico e de outras confissões religiosas”. Isso porque a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, de 1996, ao falar sobre o ensino religioso, não menciona nenhuma fé específica e também veda o “proselitismo”, ou seja, a promoção de uma religião.

Por isso, em parecer datado de junho deste ano, a Coordenadoria de Ensino Fundamental do MEC (Ministério da Educação) afirma que o acordo fere a legislação brasileira e poderá gerar discriminação dentro da escola pública. No caso da particular, o documento ressalta que as instituições de ensino cristãs têm autonomia para deliberar sobre o conteúdo.

O Itamaraty diz que o MEC havia dado parecer favorável ao artigo em dezembro de 2007. Já o ministério afirma que já havia manifestado sua discordância anteriormente.

A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) nega privilégio à Igreja Católica no artigo. “Por que aparece “católico’? Porque está falando do acordo com a Igreja Católica. Se fosse com a religião budista, diria “budista e de outras confissões religiosas’”, disse na sexta-feira dom Geraldo Lyrio Rocha, presidente da entidade.

“O fato de o texto nomear uma religião e referir outras a esta a coloca em uma situação de privilégio”, rebate Maria José Rosado Nunes, coordenadora-geral da ONG Católicas pelo Direito de Decidir.

A ONG encomendou ao instituto Ibope pesquisa que mostra que a maior parte da população brasileira rejeita a ideia de a Igreja Católica ganhar mais poderes no país.

Foram entrevistadas 2.002 pessoas de todo o país. Era feita a afirmação: “Atualmente, existe no Congresso uma proposta de acordo entre o Brasil e a Igreja Católica, que dará mais direitos à Igreja Católica em território nacional”. Em seguida, os entrevistados diziam se concordavam ou não com três frases que eram lidas.

O resultado reforça o apoio à laicidade: para 46%, “o governo não deve fazer acordo com nenhuma religião, pois não existe uma religião oficial no país”. Para outros 32%, ele não deve ser feito porque desrespeita outras religiões. Ou seja, 78% são contrários ao acordo.

Manifestaram-se favoravelmente 15% dos entrevistados, por ser o catolicismo a religião da maioria dos brasileiros.

Para a CNBB, a formulação da pergunta foi tendenciosa, porque sugere um privilégio aos católicos.

Fonte: Folha Online