Escolas reprovam atuação dos pais, diz pesquisa
O retrato da educação no país cada vez mais mostra a falta de sintonia entre as famílias e as escolas para garantir o aprendizado dos estudantes. Pesquisa da Organização dos Estados Ibero-Americanos (OIA), em parceria com a Fundação Santa Maria (SM), divulgada nesta quinta-feira, entrevistou 10 mil professores, de 19 Estados, e constatou que as famílias brasileiras delegam à escola parte de suas responsabilidades e dedicam pouco tempo aos estudos de seus filhos.
Na avaliação de 90% dos docentes que participaram do estudo “Qualidade da Educação sob o olhar dos professores”, os pais transferem responsabilidades para as instituições de ensino. Mais de 80% acreditam que as famílias não dedicam atenção suficiente para as atividades escolares do filhos. Os entrevistados que mais concordam com essa opinião são os das regiões Sudeste e Sul: 93%. “A responsabilização da família pelas dificuldades de aprendizagem dos alunos é uma concepção generalizada entre os professores brasileiros”, diz a pesquisa.
Maiores críticos
Os professores que ministram aulas da 5ª à 8ª série do ensino fundamental são os mais críticos em relação a atuação dos pais. A pesquisadora Maria Campos, responsável pela análise dos dados, ressalta que os professores não levam em conta o fato de a maioria dos pais dos alunos da escola pública ter baixo nível de escolaridade e pouca familiaridade com as exigências da escola. Esses mesmos pais, segundo a pesquisadora, depositam na escola toda a esperança de um futuro melhor para seus filhos e, por isso, lutam para conseguir vagas nas escolas públicas e garantir que seus filhos permaneçam, mesmo se reprovados. A família, a mídia e os amigos estão à frente dos livros didáticos como os fatores que mais influenciam os alunos no contexto educativo.
Pior e melhor
Mais de um quarto dos professores entrevistados acreditam que o sistema escolar brasileiro é pior que o do resto dos países latino-americanos. Apenas 6,5% acreditam que é melhor. Os professores com menos experiência são os que consideram o sistema educativo brasileiro pior. Os mais experientes acham que são sistemas incompatíveis (37,1%). Os professores de escolas particulares são mais otimistas que os das públicas, uma vez que 11,2% deles consideram a educação brasileira melhor que de outros países latino-americanos.
Quase metade dos professores (49,4%) acredita que a educação no Brasil piorou, enquanto 14% acreditam que não mudou e 36,6% acreditam que melhorou. Os professores mais experientes são os mais pessimistas. ”O pessimismo dos mais antigos veio com a reforma educacional de 1990, que obrigou todas as crianças de 7 a 14 anos a estarem matriculadas em escolas”, explica Igor Mauro, diretor geral da SM. ”Nem a estrutura, nem esses professores estavam preparados para esses milhões de novos alunos.”



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