Especialistas: ensino público decaiu ao democratizar-se

A última prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) apontou a prevalência absoluta das escolas privadas nos primeiros lugares na classificação geral, levando à tona a decaída da qualidade do ensino público. Especialistas e profissionais da área de educação ouvidos pelo Terra são unânimes em afirmar que o processo de decadência da educação pública no País vem da segunda metade do século XX, num período que começou nos anos 50 e teve o ápice nos anos 70. Segundo eles, esse problema começou a ser gerado quando houve a democratização da educação do País, com o aumento da demanda por matrículas nas escolas e, com isso, o crescimento dos índices de desistência e repetência.

“Nós nunca tivemos um ensino público de qualidade no Brasil. No início, a escola não era para todos. Quando ainda era considerada boa, atendia uma parte muito pequena da população, que já vinha com a base educacional muito grande da família. A escola recebia filhos das classes mais alta e média e não fazia muita diferença na vida desses alunos. A partir dos anos 70, começou a privatização da educação básica, ao mesmo tempo em que o movimento social passou a garantir escola para todos. Quando as classes populares puderam entrar na escola pública, a classe alta saiu dela. Nesse mesmo período, a escola pública passou a receber menos recursos e menos estrutura”, afirma a secretária de Educação Básica do Ministério da Educação (MEC), professora Maria do Pilar Lacerda.

Segundo a 4ª vice-secretária do Conselho Nacional de Secretários da Educação (Consed) e secretária de Educação do Rio Grande do Sul, Mariza Abreu, o Brasil fez uma “absorção da escola entre 1950 e 2000″, pressionado por movimentos populares. Até 1950, o Brasil tinha 52 milhões de habitantes, sendo que mais de 50% moravam na zona rural, e 36% (das classes média e alta) eram estudantes de 7 a 14 anos. “Os setores populares estavam fora. A escola tinha certa qualidade. Os professores tinham nível de remuneração igual ao de juízes e médicos”, compara Mariza.

“Em 1950, passamos para 170 milhões de habitantes e pulamos para 97% de taxa de escolarização nessa faixa etária. Com isso, temos um grande aumento (no número) de matriculas, e também uma grande taxa de reprovação e repetência. A intensa absorção do número de alunos nessa época, não foi acompanhada, e os recursos públicos destinados à educação não cresceram na mesma proporção da matrícula. A escola absorveu os pobres e ficou mais pobre”, diz a 4ª vice-secretária do Consed.

O professor da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Márcio da Costa afirma que o problema na educação pública tem dois indicadores. “Uma coisa é qualidade e a outra, abrangência. À medida em que abrangência cresce, a qualidade decresce. Quando (a escola) era para poucos, ela tinha grande qualidade. A partir do momento que se tornou mais universal, a qualidade caiu”, diz.

  • Escola privada

O professor Benjamin Ribeiro da Silva, presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo (Sieeesp) e delegado da Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep), afirmou que a escola privada é…clique aqui para ver a entrevista na integra

Fonte: Portal Terra

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