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Crianças surdas aprendem mais rápido em libras

Federação Nacional de Integração e Educação dos Surdos é contra a inclusão de alunos com deficiência auditiva em classes regulares

Criança surda que estuda por meio da Língua Brasileira de Sinais (Libras) – em meio a professores e colegas também sinalizadores – aprende a ler e a escrever mais cedo e melhor do que aquelas inseridas em salas de aula regulares. Esse é um dos resultados da pesquisa do professor Fernando Capovilla, da Universidade de São Paulo (USP).“A primeira língua do surdo é Libras. Colocar uma criança de 5 anos dentro de uma sala de ouvintes é como botá-la numa escola chinesa”, diz Capovilla. Desde 2001, ele avaliou 9.200 alunos surdos e com dificuldade auditiva. Com idade entre 6 e 25 anos e escolaridade que variava do início do fundamental ao fim do superior, eles passaram por uma bateria de testes.

Os resultados desse levantamento estão em concordância com o que reivindica a Federação Nacional de Integração e Educação dos Surdos (Feneis). A organização é contra a política de inclusão do Ministério da Educação (MEC), que prevê que esses alunos frequentem salas de aula regulares, com a presença de intérprete e, no contraturno, recebam um atendimento especializado.

“Estamos lutando para que a educação de surdos seja considerada no mesmo patamar da indígena, isto é, que os surdos não sejam enquadrados na categoria da educação especial, e sim na educação bilíngue. Libras como a primeira língua e português como segunda”, afirma Patrícia Rezende, diretora de Políticas Educacionais da Feneis. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: Portal IG

Federação Nacional de Integração e Educação dos Surdos é contra a inclusão de alunos com deficiência auditiva em classes regulares

O Plano Nacional de Educação, que será debatido na Conferência Nacional de Educação (Conae), em Brasília, entre os dias 28 deste mês e 1º de abril, tem como um dos desafios garantir oportunidades, respeito e atenção educacional às demandas específicas de estudantes com deficiências, jovens e adultos defasados na relação idade-escolaridade, indígenas, afro-descendentes, quilombolas e povos do campo.

Legalmente, a inclusão destes grupos na escola pública é garantida – a Lei de Diretrizes e Bases (LDB), que entrou em vigor em 1996 prevê, entre outros pontos, “igualdade de condições para o acesso e permanência na escola”.

Entretanto, o acesso à escola não quer dizer acesso a todas as oportunidades pedagógicas. Para garantir este direito não é preciso apenas fornecer recursos materiais – como materiais didáticos nas linguagens adequadas a cada grupo, equipamentos, adequação do espaço físico das unidades escolares – mas também a preparação do professor que fará a inclusão destes alunos.

Evolução

De acordo com a pesquisadora Rossana Ramos, autora do livro “Inclusão na prática – Estratégias eficazes para a educação inclusiva”, historicamente, a escola brasileira sempre foi conservadora e ineficiente. Isso pôde ser visto claramente na década de 90, logo após a aprovação da LDB, quando começou a inclusão de alunos com deficiências na escola comum. A mudança refletiu imediatamente na reação dos profissionais. “Fui testemunha de casos como o de uma professora que, ao saber que receberia em sua sala um aluno com deficiência leve, teve um princípio de enfarte”, conta.

Segundo ela, existiu também a resistência por parte de famílias de crianças sem deficiência que consideravam a presença do deficiente como algo prejudicial a seus filhos, tendo em vista que a exigência de uma atenção especial do professor a esse aluno poderia atrapalhar o desenvolvimento das aulas.

Entretanto, vários fatores trabalharam para mudar esse quadro. Os mais importantes, segundo Rossana, foram: a força da lei e o processo de conscientização da sociedade.

Atualmente, a pesquisadora considera que o processo de inclusão já está bem estabelecido no Brasil. “Aos poucos, as questões e equívocos vêm sendo desfeitos por conta tanto da necessidade de se resolver o problema quanto pelo empenho do governo em capacitar os profissionais da educação para essa nova empreitada.”   

A perspectiva para o futuro nesta questão é animadora. “A busca por novos meios e recursos para o deficiente vêm causando uma mudança estrutural que consequentemente reflete na educação dos alunos sem deficiência”, avalia.

Na opinião de Rossana, há agora novas formas de preparar as aulas, avaliar o desempenho dos alunos e compreender o processo de ensino e aprendizagem, que surgem quando se tem alguém com alguma diferença na sala de aula.

Fonte: Portal IG